CAPÍTULO 99
ATÉ AQUI O SENHOR NOS AJUDOU
“Então Samuel tomou uma pedra, e a pôs entre Mizpá e Sem, e chamou-lhe Ebenézer; e disse: Até aqui nos ajudou o Senhor.”
— 1 Samuel 7:12
Este capítulo precisa ser diferente.
Não é simplesmente mais um capítulo da biografia. É um Ebenézer colocado no meio da história.
Como biógrafo, ao olhar para tudo aquilo que foi vivido por Pastor Ivanildo e Pra. Rosinete, não posso registrar esta caminhada como se ela tivesse acontecido por acaso. Também não posso transformá-la em uma narrativa inventada para torná-la mais bonita.
A beleza já está nos próprios fatos.
Houve começo simples.
Houve trabalho.
Houve lágrimas.
Houve pessoas.
Houve perdas e retornos.
Houve construção.
Houve limitações.
Houve provisões.
Houve oração.
Houve espera.
Houve decisões tomadas depois de buscar direção.
E, acima de tudo, houve Deus.
Não chegamos aqui por acaso
A Igreja & Projeto Apoio aos Soldados Feridos de Jesus Cristo não nasceu primeiro de uma grande estrutura.
Nasceu do cuidado com uma alma ferida.
Uma pessoa foi encontrada no ambiente online, desanimada e sofrendo. Pastor Ivanildo e Pra. Rosinete cuidaram daquela vida, orientaram e se colocaram na posição de servos.
A partir daquela experiência, nasceu uma compreensão maior da missão: pessoas precisavam de apoio espiritual e social, tanto no ambiente digital quanto presencial.
A história começou alcançando uma pessoa.
Depois outras vieram.
E outras.
E aquilo que começou de maneira simples foi ganhando novas frentes.
Antes da estrutura, veio a missão
Houve um tempo em que não havia aquilo que hoje pode ser visto como estrutura.
Houve uma tenda.
Houve o corredor da lavanderia de Rosinete.
Houve reuniões em espaços pequenos.
Houve momentos em que aproximadamente trinta a trinta e cinco pessoas chegaram a participar.
E havia uma realidade que precisava ser registrada:
o tamanho do espaço nunca foi maior do que a disposição para servir.
A igreja continuava viva.
A Palavra continuava sendo anunciada.
As pessoas continuavam sendo cuidadas.
A oração continuava.
A missão continuava.
Quando Deus abriu uma direção para o terraço
Durante uma das visitas à casa de Áurea e de sua família, Rosinete recebeu de Doneci uma pergunta que entrou para a história:
“Por que vocês não fazem a igreja no terraço de vocês?”
A pergunta poderia ter sido simplesmente uma sugestão humana.
Mas não foi assim que Pastor Ivanildo e Rosinete trataram aquilo.
Eles buscaram a Deus.
Oraram.
E o terraço passou a fazer parte da visão de uma nova etapa.
Como biógrafo, é importante registrar a ordem dos acontecimentos: primeiro veio a pergunta, depois a oração, depois a direção e, então, a construção.
A construção que aconteceu enquanto a igreja continuava viva
A construção do primeiro espaço próprio não aconteceu com abundância.
Foi gradual.
Foi feita com trabalho.
Foi feita com reaproveitamento.
Foi feita com aquilo que estava disponível.
Pastor Ivanildo, Rosinete, Ismael, Ivan e Erli participaram de momentos dessa construção.
Tijolo sobre tijolo.
Etapa por etapa.
Mas existe algo ainda mais importante:
enquanto o espaço físico era construído, a igreja não parou de funcionar.
As reuniões continuaram.
A Palavra continuou.
As famílias continuaram sendo cuidadas.
O trabalho espiritual não ficou esperando o prédio ficar pronto.
Porque o verdadeiro fundamento não era a parede.
Era Cristo.
Doze cadeiras e uma provisão que entrou para a memória
Entre as provisões que marcaram aquele período estão as doze cadeiras escolares antigas doadas pelo Pastor Wesley, da Igreja Rocha Eterna, onde Pastor Ivanildo havia servido por aproximadamente oito meses.
Aquelas cadeiras fizeram parte dos primeiros recursos da estrutura.
Uma delas permaneceu preservada como memória.
Também houve bancos feitos por Pastor Ivanildo utilizando madeira reaproveitada.
Houve ainda a recuperação de um banco antigo que pertencera à sua mãe.
São detalhes aparentemente pequenos.
Mas um biógrafo sabe que uma história verdadeira não é feita somente dos grandes acontecimentos.
Os pequenos detalhes também testemunham.
A obra foi construída pelas mãos de muitas pessoas
Esta história não pertence somente a Pastor Ivanildo e Pra. Rosinete.
Deus colocou pessoas no caminho.
Tia Tais permaneceu fiel à causa, cuidando da família e servindo na cozinha da igreja.
Paulo apoiou especialmente o Projeto 3EM1 e permaneceu participando também através do ambiente online.
José Inácio serviu gravando vídeos, ajudando na decoração, trazendo alimentos, participando das atividades e cuidando de necessidades diversas.
João cresceu dentro do Projeto 3EM1, amadureceu e posteriormente assumiu responsabilidades maiores.
Aline participou desde os primeiros momentos do projeto na praça, ajudou as crianças e adolescentes, trouxe apoio de pessoas e profissionais e colaborou em necessidades concretas do projeto.
E existem também aqueles que não aparecem com destaque nas páginas.
Pessoas que oraram.
Pessoas que ajudaram.
Pessoas que doaram.
Pessoas que trabalharam.
Pessoas que simplesmente permaneceram.
Deus conhece cada uma delas.
Ismael: uma geração nascida dentro da própria missão
A história de Ismael merece ser lembrada porque ela mostra uma coisa muito particular desta caminhada:
uma nova geração foi sendo formada dentro da própria missão.
Sua história começou ainda durante a gravidez de Rosinete.
Houve uma preocupação médica durante a gestação.
Rosinete buscou a Deus e fez um voto relacionado ao serviço.
Ismael nasceu em 11 de junho de 2010.
Desde pequeno acompanhou visitas, trabalhos, bazares e atividades.
Foi chamado de “obreirinho” e “pastorzinho”.
Depois cresceu dentro do Projeto 3EM1, sendo reconhecido como tio e posteriormente como obreiro.
Ele não apenas observou a missão.
Foi formado dentro dela.
João: retorno, amadurecimento e responsabilidade
João também carrega uma história que não pode ser resumida apenas ao momento em que chegou.
Ele entrou através da convivência com Ismael e do Projeto 3EM1.
Depois houve afastamento.
Durante aproximadamente um ano e mais algum período, houve perda de contato.
Mas a liderança continuou acreditando em seu retorno.
Quando voltou, João estava diferente.
Passou por amadurecimento.
Começou a buscar mais.
Trabalhou seu caráter.
Reduziu sua impulsividade.
Assumiu responsabilidades.
Tornou-se tio do Projeto 3EM1.
Ajudou na evangelização.
E depois foi levantado como obreiro.
Isso também ensinou algo:
Deus pode continuar trabalhando em uma história mesmo durante os períodos em que nós não conseguimos enxergar o próximo capítulo.
Uma obra que ganhou muitas frentes
A missão não ficou limitada a uma única reunião.
Foram surgindo frentes diferentes:
Projeto 3EM1 C.A.J.;
Novos Discipulados;
Espaço do Espírito Santo;
Espaço de Propósitos de Fé;
Gideões em Resgate;
Ser Bem-Sucedido é Dom de Deus;
Espaço da Alma;
Reuniões Ministeriais;
24 Orações por Vocês;
frentes voltadas às famílias;
formação de crianças, adolescentes e jovens;
trabalho digital;
registros em fotografias e vídeos.
Cada frente possuía uma necessidade específica.
Mas havia um mesmo centro:
Jesus Cristo.
Quando a missão entrou no mundo digital
A missão também aprendeu a utilizar sites, páginas, fotografias, vídeos e redes sociais.
A mídia passou a ser instrumento de evangelização.
Isso foi importante porque uma mensagem que era transmitida em um lugar podia alcançar alguém distante.
Uma pessoa que não pudesse estar presente fisicamente poderia ouvir.
Ver.
Acompanhar.
Receber uma palavra.
Assim, a missão não ficou limitada às paredes.
Uma rotina de serviço
Manter projetos é diferente de simplesmente criar projetos.
É necessário permanecer.
Preparar.
Organizar.
Ensinar.
Orar.
Gravar.
Divulgar.
Cuidar.
Voltar no dia seguinte.
E continuar quando o entusiasmo inicial passa.
A caminhada de Pastor Ivanildo e Pra. Rosinete exigiu exatamente isso.
Não apenas começar.
Continuar.
As lutas também fazem parte do testemunho
Esta biografia não seria verdadeira se registrasse somente vitórias.
Houve chuva.
Houve frio.
Houve limitações financeiras.
Houve espaços apertados.
Houve materiais insuficientes.
Houve cansaço.
Houve pessoas que chegaram.
Houve pessoas que se afastaram.
Houve espera.
Houve momentos em que foi necessário começar novamente.
Mas é justamente por isso que o texto de Samuel ganha tanta força:
“Até aqui nos ajudou o Senhor.”
Não significa que não houve luta.
Significa que a luta não conseguiu impedir a caminhada.
Pastor Ivanildo e Pra. Rosinete caminhando juntos
A história mostra Pastor Ivanildo e Pra. Rosinete servindo juntos.
Houve momentos em que um precisou representar a missão enquanto o outro não podia estar presente.
Houve construção.
Houve oração.
Houve cuidado.
Houve liderança.
Houve formação.
Houve família.
E Ismael cresceu vendo essa realidade.
A família não foi simplesmente espectadora.
A família também fez parte da missão.
Os atos de fé
Os atos de fé desta caminhada não precisam ser aumentados para se tornarem importantes.
Eles já são fortes exatamente porque aconteceram.
Orar antes de decidir.
Esperar quando ainda não havia resposta.
Continuar quando os recursos eram pequenos.
Reaproveitar materiais.
Cuidar de pessoas.
Manter reuniões.
Construir gradualmente.
Voltar a trabalhar.
Permanecer.
Esses são atos concretos.
A fé não ficou somente nas palavras.
A fé apareceu nas decisões.
A espada do Senhor Jesus Cristo
Nesta caminhada, a espada não pode ser apresentada como um objeto de fantasia.
A espada é a Palavra de Deus.
É nela que a fé encontra direção.
E a autoridade pertence ao nome do Senhor Jesus Cristo.
Quando as trevas aparecem, não é a força humana que deve ser exaltada.
É Cristo.
Quando o medo aparece, não é o homem que deve ocupar o centro.
É Cristo.
Quando a caminhada parece difícil, é Cristo quem continua sendo o fundamento.
A proteção de Deus
A fé cristã também reconhece a proteção dos anjos enviados por Deus.
Pastor Ivanildo e Pra. Rosinete caminharam confiando que o Senhor é poderoso para guardar seus servos.
Mas como biógrafo, existe uma responsabilidade que não pode ser abandonada:
não transformar uma convicção de fé em um acontecimento histórico que não esteja documentado.
Por isso, registramos a confiança na proteção de Deus, a autoridade do nome de Jesus Cristo e a esperança na ação dos seus anjos, sem inventar aparições, manifestações ou acontecimentos sobrenaturais que não estejam comprovados nos registros desta história.
Isso não diminui a fé.
Pelo contrário.
Preserva a verdade.
Deus cuidou dos detalhes
E quando olhamos para trás, percebemos a quantidade de detalhes que precisaram se encaixar.
Uma pessoa encontrada online.
Uma conversa.
Uma visita.
Uma pergunta.
Uma oração.
Um terraço.
Uma construção.
Doze cadeiras.
Madeira reaproveitada.
Pessoas que chegaram.
Pessoas que permaneceram.
Crianças.
Adolescentes.
Jovens.
Famílias.
Projetos.
Vídeos.
Fotografias.
Sites.
Discipulados.
Orações.
Serviço.
Tudo isso foi acontecendo ao longo da caminhada.
E Pastor Ivanildo e Pra. Rosinete reconhecem que não podem olhar para tudo isso sem reconhecer a mão de Deus.
Ebenézer
Por isso, este capítulo precisa levantar uma pedra simbólica.
Uma marca.
Um testemunho.
Um Ebenézer.
Não para dizer:
“Veja o que nós fizemos.”
Mas para declarar:
“Veja o que o Senhor nos permitiu viver.”
A tenda.
O corredor.
O terraço.
As primeiras cadeiras.
Os bancos.
Os tijolos.
As reuniões.
As crianças.
Os adolescentes.
Os jovens.
As famílias.
Os projetos.
As pessoas.
As lutas.
As provisões.
As respostas.
Tudo aponta para uma mesma direção.
Deus foi fiel.
Chegamos até aqui
Se hoje existe um capítulo 99, é porque houve capítulos anteriores.
Houve dias em que foi preciso continuar.
Houve dias em que foi preciso esperar.
Houve dias em que foi preciso começar novamente.
Houve dias em que uma pequena provisão foi suficiente para o próximo passo.
E houve dias em que a única coisa possível era confiar.
Mas Deus sustentou a caminhada.
Toda a glória pertence ao Senhor
Pastor Ivanildo faz parte desta história.
Pra. Rosinete faz parte desta história.
Ismael faz parte desta história.
João faz parte desta história.
Tia Tais e Paulo fazem parte desta história.
José Inácio faz parte desta história.
Aline faz parte desta história.
E tantas outras pessoas também.
Mas nenhum deles é o Senhor da obra.
O Senhor da obra é Deus.
Deus Pai cuidou dos detalhes.
O Senhor Jesus Cristo permaneceu como fundamento, Salvador e esperança.
E o Espírito Santo conduziu, ensinou, fortaleceu e orientou.
Por isso, quando alguém perguntar:
“Como vocês chegaram até aqui?”
A resposta não será apenas:
“Trabalhamos.”
Não será apenas:
“Perseveramos.”
Não será apenas:
“Construímos.”
A resposta será:
Trabalhamos. Servimos. Perseveramos. Choramos. Esperamos. Construímos. Caímos e levantamos. Mas, acima de tudo, reconhecemos que o Senhor nos sustentou.
E por isso, diante de tudo aquilo que passou, Pastor Ivanildo e Pra. Rosinete podem olhar para trás e declarar:
ATÉ AQUI O SENHOR NOS AJUDOU.
E a glória pertence somente a Ele.
“Grandes coisas fez o Senhor por nós, pelas quais estamos alegres.”
— Salmos 126:3

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