CAPÍTULO 98

O QUE APRENDEMOS COM DEUS

“Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios.”
— Salmos 90:12

O aprendizado que não termina

Depois de tantas pessoas, projetos, lutas, portas abertas, limitações, respostas, lágrimas, construções e recomeços, chega-se a uma conclusão que não pode ser ignorada:

a maior escola desta caminhada foi o próprio Deus.

As pessoas ensinaram através de suas vidas. As lutas ensinaram através de suas dores. Os projetos ensinaram através do serviço. Mas Deus ensinou através de tudo.

Foi olhando para trás que se tornou possível perceber que cada etapa carregava uma lição. Algumas foram aprendidas com alegria. Outras nasceram em períodos difíceis. Algumas chegaram através de pessoas. Outras vieram através da espera.

Mas, em todas elas, havia uma direção maior.

Aprendemos que Deus é o centro

A história da Igreja & Projeto Apoio aos Soldados Feridos de Jesus Cristo não foi construída para colocar homens no centro.

Desde os pequenos começos, a direção sempre foi reconhecida como pertencente ao Senhor.

Pastor Ivanildo e Pra. Rosinete caminharam servindo, discernindo, trabalhando e cuidando de pessoas, mas a convicção permaneceu:

a obra é de Deus.

E quando uma obra pertence a Deus, o ser humano não pode assumir o lugar que pertence ao Senhor.

Deus Pai permanece sendo o princípio e o fundamento.
O Senhor Jesus Cristo permanece sendo o centro da fé e da missão.
E o Espírito Santo permanece sendo Aquele que orienta, consola, ensina e conduz.

Aprendemos a esperar a direção do Espírito Santo

Nem toda resposta veio imediatamente.

Houve momentos em que foi necessário orar, esperar, observar e somente depois agir.

A caminhada ensinou que nem toda porta deve ser aberta pela força humana.

Era necessário buscar direção.

Era necessário discernir.

Era necessário compreender que fazer alguma coisa não é necessariamente o mesmo que obedecer a Deus.

O Espírito Santo não foi tratado como um detalhe da missão. Ele está no próprio entendimento de que uma obra cristã precisa ser conduzida por Deus.

Aprendemos que pequenos começos também podem carregar grandes propósitos

A obra passou por lugares simples.

Houve reuniões em espaços improvisados. Houve momentos em que uma tenda, um corredor ou um terraço serviram ao propósito enquanto a estrutura era construída.

Houve poucos recursos e muito trabalho.

Ainda assim, a simplicidade do lugar nunca determinou a grandeza do propósito.

Deus mostrou que uma obra não começa grande porque possui uma grande estrutura.

Ela começa quando existe disposição para servir.

Uma reunião simples pode carregar uma palavra capaz de mudar uma vida.

Uma oração pode abrir uma esperança.

Uma conversa pode impedir uma desistência.

Um pequeno espaço pode se transformar em lugar de comunhão.

E um começo aparentemente pequeno pode fazer parte de algo muito maior.

Aprendemos que pessoas importam para Deus

Cada pessoa que permaneceu deixou uma marca nesta história.

Tia Tais e Paulo ensinaram fidelidade e cuidado.

José Inácio ensinou disponibilidade e serviço.

João mostrou crescimento, retorno, amadurecimento e responsabilidade.

Ismael representa uma nova geração formada dentro da própria caminhada.

Aline mostrou que distância não precisa significar abandono da causa.

E tantos outros, conhecidos ou anônimos, ajudaram de maneiras que esta história não pode esquecer.

Isso ensinou algo precioso:

pessoas não são números dentro de uma missão. São vidas.

Cada alma possui uma história.

Cada pessoa carrega lutas que muitas vezes ninguém vê.

E quando Deus coloca alguém no caminho, existe uma responsabilidade de cuidar.

Aprendemos que servir é mais importante do que aparecer

Uma das lições mais profundas foi perceber que parte importante de uma obra acontece longe dos olhos de quem vê.

Há quem organize.

Há quem carregue.

Há quem grave.

Há quem cozinhe.

Há quem cuide.

Há quem ore.

Há quem visite.

Há quem aconselhe.

Há quem divulgue.

Há quem permaneça.

Nem todo serviço recebe reconhecimento público.

Mas Deus vê.

A missão ensinou que fidelidade não depende de aplausos.

Quem serve ao Senhor precisa aprender a trabalhar mesmo quando ninguém está olhando.

Aprendemos que a família também faz parte da missão

A caminhada mostrou que não existe separação absoluta entre servir e cuidar.

Pastor Ivanildo e Pra. Rosinete construíram a missão caminhando juntos, e Ismael cresceu dentro dessa realidade.

A família não foi apenas espectadora da história.

Participou dela.

Isso ensinou que aquilo que Deus coloca nas mãos de uma família pode alcançar outras famílias.

O ministério não anulou a família.

A família também se tornou parte da experiência de servir.

Aprendemos que a dor pode se transformar em lugar de testemunho

O cuidado com as almas revelou uma verdade que não pode ser ignorada:

muitas pessoas chegam feridas.

Algumas carregam rejeição.

Outras carregam perdas.

Outras enfrentam frustrações, conflitos, dores emocionais e situações que nem sempre aparecem por fora.

A missão ensinou a não desprezar a dor de ninguém.

Uma pessoa ferida não precisa apenas de uma resposta rápida.

Muitas vezes precisa ser ouvida.

Precisa de oração.

Precisa de direção.

Precisa de cuidado.

Precisa voltar a ter esperança.

E quando uma pessoa encontra cuidado e começa a experimentar transformação, aquilo que um dia parecia apenas uma ferida pode se transformar em testemunho da ação de Deus.

Aprendemos que recursos não determinam a fidelidade de Deus

Houve períodos de limitações.

Materiais precisaram ser reaproveitados.

Estruturas foram construídas gradualmente.

O trabalho precisou continuar mesmo quando os recursos eram pequenos.

A lição não foi que recursos não importam.

A lição foi outra:

a falta de recursos não precisa impedir a obediência.

A caminhada ensinou dependência, criatividade, perseverança e confiança no Senhor.

Quando havia pouco, fazia-se o que era possível.

Quando surgia uma provisão, agradecia-se.

Quando uma porta se abria, avançava-se.

E quando ainda não havia resposta, permanecia-se em oração.

Aprendemos que Deus trabalha no tempo certo

Algumas coisas precisaram amadurecer.

Pessoas precisaram crescer.

Projetos precisaram ganhar forma.

Relacionamentos precisaram ser fortalecidos.

Estruturas precisaram ser construídas.

A obra mostrou que existe diferença entre pressa humana e tempo de Deus.

Esperar não significou ficar parado.

Enquanto se esperava, trabalhava-se.

Enquanto se esperava, orava-se.

Enquanto se esperava, cuidava-se.

Enquanto se esperava, permanecia-se fiel.

Aprendemos que a obra precisa continuar depois de nós

Quando uma geração aprende com outra, a missão deixa de depender apenas de uma pessoa.

Crianças, adolescentes e jovens foram alcançados por projetos e responsabilidades.

Ismael e João são exemplos de uma geração que cresceu dentro da própria missão.

O aprendizado com Deus também foi este:

aquilo que Ele começa precisa ser transmitido com responsabilidade.

Uma geração recebe.

Aprende.

Serve.

Amadurece.

E depois precisa ajudar a próxima geração.

Assim, a obra não fica presa a uma época.

Ela continua.

Aprendemos que memória também é responsabilidade

Fotografias, vídeos, páginas, sites e registros não existem apenas para mostrar o que aconteceu.

Eles preservam a memória.

Preservam pessoas.

Preservam momentos.

Preservam etapas.

Preservam aquilo que Deus permitiu viver.

Registrar também se tornou uma forma de testemunhar.

Porque aquilo que foi vivido pode servir de aprendizado para quem ainda virá.

Aprendemos que gratidão protege a história

Olhar para trás e reconhecer a mão de Deus impede que a história seja atribuída somente ao esforço humano.

Houve trabalho.

Houve sacrifício.

Houve cansaço.

Houve dedicação.

Mas também houve portas.

Houve provisões.

Houve pessoas.

Houve oportunidades.

Houve respostas.

Houve momentos que não poderiam ser explicados somente pelo esforço dos envolvidos.

Por isso, agradecer ao Senhor não é apenas uma atitude espiritual.

É parte da própria narrativa.

Quem esquece de agradecer pode começar a acreditar que chegou sozinho.

Mas quem olha corretamente para a história consegue dizer:

“Foi Deus quem nos trouxe até aqui.”

O maior aprendizado

Depois de tudo, talvez a maior lição seja simples e profunda:

Deus continua sendo Deus.

Quando os recursos acabam, Ele continua sendo Deus.

Quando pessoas partem, Ele continua sendo Deus.

Quando portas se fecham, Ele continua sendo Deus.

Quando surgem dificuldades, Ele continua sendo Deus.

Quando os resultados demoram, Ele continua sendo Deus.

Quando ninguém entende completamente o caminho, Ele continua sendo Deus.

A caminhada ensinou que a missão não pode depender apenas daquilo que os olhos conseguem enxergar.

É preciso permanecer fiel Àquele que chamou.

Pastor Ivanildo e Pra. Rosinete: servindo debaixo de uma direção maior

A caminhada de Pastor Ivanildo e Pra. Rosinete também ensinou que liderança cristã não significa possuir uma obra.

Significa servir àquilo que pertence ao Senhor.

A responsabilidade de conduzir pessoas exige oração, discernimento, correção, amor, firmeza e humildade.

Liderar não é ocupar o lugar de Deus.

É reconhecer diariamente que existe Alguém acima de qualquer liderança.

O centro continua sendo Deus Pai, o Senhor Jesus Cristo e o Espírito Santo.

Uma história que aponta para Deus

Este capítulo não encerra o aprendizado.

Pelo contrário.

Ele reconhece que ainda há muito a aprender.

Cada pessoa pode ensinar alguma coisa.

Cada projeto pode revelar uma nova necessidade.

Cada luta pode produzir maturidade.

Cada porta pode trazer uma nova responsabilidade.

E cada nova etapa pode revelar mais alguma coisa sobre a fidelidade do Senhor.

Se esta história chegou até aqui, não foi para glorificar a capacidade humana.

Foi para testemunhar que Deus esteve presente na caminhada.

E quando o homem olha para tudo aquilo que viveu e consegue enxergar a mão do Senhor, a resposta mais digna não é orgulho.

É gratidão.

É reverência.

É adoração.

É dizer:

“Senhor, tudo veio de Ti, tudo permanece em Tuas mãos, e tudo deve continuar sendo para a Tua glória.”

“Até aqui nos ajudou o Senhor.”
— 1 Samuel 7:12