CAPÍTULO 97

O QUE APRENDEMOS COM AS LUTAS

“No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.”
João 16:33

Uma história verdadeira não é feita somente de conquistas.

Ela também é feita de dias difíceis.

Há capítulos que nascem da alegria, outros que nascem da dor. Há momentos em que tudo parece avançar e outros em que a maior vitória é simplesmente continuar.

Ao chegar ao capítulo 97, esta biografia olha para as lutas — não para glorificá-las, mas para reconhecer aquilo que Deus ensinou através delas.

Porque algumas das maiores lições desta caminhada não nasceram quando havia abundância.

Nasceram quando havia necessidade.


A PRIMEIRA LIÇÃO: A OBRA PRECISOU APRENDER A PERMANECER

Houve momentos em que permanecer era mais difícil do que começar.

Começar pode ser impulsionado pela empolgação de uma visão nova.

Permanecer exige fidelidade.

A obra precisou aprender que nem todos os dias seriam iguais, que nem todas as pessoas permaneceriam pelo mesmo tempo e que nem todas as portas se abririam imediatamente.

Ainda assim, era necessário continuar.


QUANDO OS RECURSOS ERAM LIMITADOS

Uma das grandes marcas desta caminhada foi aprender a trabalhar mesmo quando os recursos eram limitados.

A construção da primeira sede não aconteceu em um cenário de abundância.

Houve reaproveitamento de materiais.

Houve trabalho manual.

Houve móveis simples.

Houve doações.

Houve pessoas colocando as próprias mãos no trabalho.

E, mesmo assim, a missão continuou.

A limitação dos recursos não determinou o tamanho da fé.


APRENDEMOS QUE FÉ NÃO É AUSÊNCIA DE DIFICULDADE

A fé não significou que não existiriam problemas.

Significou continuar confiando em Deus enquanto eles existiam.

Houve momentos em que não havia tudo aquilo que seria necessário para fazer as coisas da maneira ideal.

Mas havia disposição para fazer aquilo que era possível.

Essa diferença é importante.

A fé não ignora a realidade.

Ela olha para a realidade e continua confiando no Senhor.


QUANDO A CHUVA E O FRIO TESTARAM A PERMANÊNCIA

Durante o período de construção, nem sempre havia uma estrutura pronta para receber as reuniões.

O terraço ainda estava sendo construído.

Havia paredes sem acabamento e ausência de cobertura.

Quando o frio ou a chuva chegavam, cadeiras e móveis precisavam ser levados para o corredor.

E a reunião continuava.

Aquela realidade ensinou uma verdade que jamais deveria ser esquecida:

a Igreja não depende de uma estrutura perfeita para continuar sendo Igreja.


APRENDEMOS QUE O LUGAR NÃO É O CENTRO

Houve o tempo da tenda.

Depois veio o corredor da lavanderia.

Depois o terraço.

Depois a construção avançando.

Cada espaço teve sua importância.

Mas nenhum deles era o verdadeiro centro.

O centro era Cristo.

O lugar podia mudar.

A estrutura podia melhorar.

Os recursos podiam aumentar ou diminuir.

Mas o propósito precisava permanecer.


QUANDO A OBRA PRECISOU FAZER MUITO COM POUCO

Materiais reaproveitados.

Madeiras reutilizadas.

Peças que poderiam ser descartadas.

Mãos trabalhando.

Pessoas ajudando.

Tudo isso fez parte da construção.

A obra aprendeu a não desprezar aquilo que parecia pequeno.

Porque aquilo que para alguém poderia ser apenas uma sobra, para a missão poderia representar uma parte necessária da construção.


APRENDEMOS O VALOR DAQUELES QUE AJUDAM

As dificuldades também revelaram quem estava disposto a ajudar.

Pastor Ivanildo.

Pastora Rosinete.

Ismael.

Ivan.

Erli.

E outras pessoas que participaram dos trabalhos.

Cada mão colocada na construção tinha significado.

A luta mostrou que, quando uma necessidade aparece, pessoas fiéis podem se levantar.


QUANDO A MISSÃO NÃO PODIA PARAR POR CAUSA DA CONSTRUÇÃO

Uma das maiores lições daquele período foi que construir paredes não poderia significar abandonar pessoas.

Enquanto o espaço era construído, as reuniões continuavam.

Enquanto havia ferramentas e materiais, havia também oração.

Enquanto existia obra física, existia obra espiritual.

A construção precisava avançar sem que a missão parasse.


APRENDEMOS QUE PESSOAS SÃO MAIS IMPORTANTES QUE PAREDES

Uma parede pode ser levantada novamente.

Uma porta pode ser colocada depois.

Um acabamento pode esperar.

Mas uma pessoa que está sofrendo não deveria ser tratada como algo que pode esperar indefinidamente.

Essa compreensão marcou a caminhada.

A estrutura era importante.

Mas as vidas eram prioridade.


QUANDO PESSOAS PASSARAM POR LUTAS

Outra grande lição veio das próprias pessoas.

Algumas chegaram carregando rejeição.

Outras carregavam perdas.

Outras enfrentavam dificuldades familiares.

Algumas precisavam de esperança.

A existência de espaços como o Espaço da Alma e o trabalho voltado às mulheres feridas nasceu dessa realidade.

A missão aprendeu que nem toda batalha pode ser vista.


APRENDEMOS A NÃO JULGAR A DOR PELA APARÊNCIA

Uma pessoa pode estar sorrindo e ainda estar ferida.

Pode estar presente em uma reunião e, por dentro, pensar em desistir.

Pode falar pouco e carregar muito.

A caminhada ensinou a necessidade de ouvir.

De orar.

De acolher.

De orientar.

De não reduzir uma pessoa àquilo que aparece exteriormente.


QUANDO UMA PESSOA VAI EMBORA

Também houve a experiência da ausência.

A história de João mostra isso.

Houve um período em que ele se afastou e perdeu contato com Ismael durante aproximadamente um ano e algum tempo mais.

A liderança, porém, continuou acreditando que ele poderia retornar.

Quando voltou, encontrou um ambiente em que poderia continuar amadurecendo.

Essa história ensina que uma ausência não precisa ser considerada automaticamente o fim.


APRENDEMOS A ESPERAR

Nem todas as respostas chegam imediatamente.

Nem toda transformação acontece em um único encontro.

Nem todo projeto começa completamente formado.

Nem toda pessoa amadurece rapidamente.

Algumas coisas exigem tempo.

A missão aprendeu a esperar sem abandonar a fé.


APRENDEMOS QUE CARÁTER TAMBÉM É CONSTRUÍDO NAS LUTAS

João não voltou simplesmente igual ao jovem que havia saído.

No retorno, começou a buscar mais, a se entregar, a prestar atenção, a trabalhar seu caráter e a diminuir sua ira.

Depois assumiu responsabilidades.

A luta, nesse caso, também se tornou parte do processo de amadurecimento.


QUANDO A FAMÍLIA TAMBÉM PRECISOU SER CUIDADA

A obra também aprendeu que não se pode falar de pessoas sem falar de famílias.

Muitas lutas atingem casas inteiras.

Por isso, cuidar da família tornou-se uma frente importante.

Lutando Pela Família e Ele & Ela + Vocês representam essa compreensão.

O cuidado precisava alcançar não apenas o indivíduo, mas também seus relacionamentos.


APRENDEMOS QUE O AMOR PRECISA DE CUIDADO

O amor não deve ser tratado como algo automático.

Casamentos precisam ser cuidados.

Relacionamentos precisam de diálogo.

Feridas precisam ser tratadas.

Pessoas precisam aprender a perdoar, compreender e buscar direção em Deus.

Foi por isso que a luta pelo amor também entrou na missão.


QUANDO A OBRA PRECISOU CONVIVER COM DIFERENTES RITMOS

Nem todos servem da mesma maneira.

Nem todos conseguem estar presentes sempre.

Nem todos possuem as mesmas condições.

Alguns ajudam presencialmente.

Outros ajudam online.

Alguns trabalham muito.

Outros contribuem quando conseguem.

A missão aprendeu que unidade não significa uniformidade.


APRENDEMOS A VALORIZAR O SERVIÇO INVISÍVEL

As dificuldades mostraram o valor de quem trabalha sem receber reconhecimento.

Uma pessoa prepara.

Outra organiza.

Outra grava.

Outra leva alimento.

Outra ajuda uma criança.

Outra conversa com um jovem.

Outra ora.

Outra compartilha uma mensagem.

Talvez ninguém veja.

Mas Deus vê.


QUANDO A MÍDIA TAMBÉM VIROU UMA RESPOSTA

A distância poderia ser uma barreira.

Mas a internet abriu outra possibilidade.

Vídeos, fotografias, páginas, redes sociais e conteúdos digitais passaram a ajudar a levar a mensagem para pessoas que não estavam fisicamente presentes.

Assim, uma dificuldade — a impossibilidade de alcançar todos presencialmente — também revelou uma nova ferramenta.


APRENDEMOS QUE DEUS PODE USAR NOVAS FERRAMENTAS

A tecnologia não substitui o Espírito Santo.

Mas pode ser uma ferramenta nas mãos daqueles que servem.

A câmera pode registrar.

O vídeo pode ensinar.

Uma página pode informar.

Uma mensagem pode alcançar.

Uma transmissão pode aproximar.

A ferramenta é humana.

O propósito precisa permanecer espiritual.


QUANDO A LUTA TESTA A UNIDADE

Toda obra formada por pessoas precisa aprender a lidar com diferenças.

Pessoas possuem personalidades diferentes.

Pensam de maneiras diferentes.

Possuem experiências diferentes.

Por isso, a unidade precisa ser construída.

A liderança precisa orientar.

Os servos precisam aprender a conversar.

E todos precisam lembrar que o propósito é maior que preferências pessoais.


APRENDEMOS QUE OBEDIÊNCIA VALE MAIS QUE EGO

Uma das maiores batalhas de qualquer servo não acontece fora.

Acontece dentro.

É a luta contra o próprio ego.

É aprender a ouvir.

É aceitar orientação.

É reconhecer quando precisa mudar.

É colocar a vontade de Deus acima da própria vontade.

Essa é uma batalha que não aparece nas fotografias, mas pode definir a qualidade de um ministério.


QUANDO FALTARAM RESPOSTAS IMEDIATAS

Existiram momentos em que não era possível saber exatamente como uma situação terminaria.

Mesmo assim, a obra continuou.

Isso ensinou a confiar no Senhor não somente quando a resposta já estava visível, mas também quando ainda não estava.


APRENDEMOS QUE DEUS TRABALHA NO TEMPO DELE

A história do terraço é um exemplo disso.

A direção não apareceu através de um grande acontecimento público.

Veio durante uma visita.

Uma pergunta foi feita:

“Por que vocês não fazem a igreja no terraço de vocês?”

Aquela pergunta passou a ser compreendida como uma direção que abriu uma nova etapa.

Depois vieram oração, trabalho, construção e perseverança.


APRENDEMOS QUE PEQUENOS COMEÇOS PODEM CARREGAR GRANDES HISTÓRIAS

Uma tenda.

Um corredor.

Algumas cadeiras.

Um velho banco.

Uma mesa usada como púlpito.

Uma parede começando a subir.

Uma reunião acontecendo apesar da chuva.

Nada disso parecia grandioso isoladamente.

Mas, reunidos, esses acontecimentos passaram a formar parte da história da obra.


QUANDO O CANSAÇO APARECE

Servir também cansa.

Construir cansa.

Visitar cansa.

Organizar cansa.

Cuidar de pessoas cansa.

Mas a caminhada ensinou que cansaço não é necessariamente sinal de que o chamado terminou.

Às vezes é simplesmente sinal de que o ser humano precisa descansar, renovar suas forças e continuar dependendo de Deus.


APRENDEMOS A DEPENDER DO SENHOR

Quanto maiores as responsabilidades, maior a necessidade de dependência.

A obra ensinou que planejamento é importante.

Organização é importante.

Trabalho é importante.

Mas nada disso substitui a oração.

Porque existem coisas que somente Deus pode fazer.


A MAIOR LIÇÃO: A LUTA NÃO FOI EM VÃO

Olhando para trás, algumas lutas que pareciam apenas obstáculos passaram a carregar ensinamentos.

A falta ensinou gratidão.

A espera ensinou paciência.

A construção ensinou perseverança.

A chuva ensinou adaptação.

As ausências ensinaram esperança.

As dores ensinaram compaixão.

As limitações ensinaram dependência.

As pessoas ensinaram fidelidade.

E tudo isso foi sendo usado para formar a missão.


DEUS CONTINUOU SENDO O CENTRO

Em nenhum momento esta história deve transformar as dificuldades em protagonistas.

As lutas são parte da narrativa.

Mas Deus é o centro.

Deus Pai sustentou.

O Senhor Jesus Cristo permaneceu como fundamento.

O Espírito Santo conduziu e fortaleceu.

Os seres humanos trabalharam, mas a glória pertence ao Senhor.


O QUE AS LUTAS DEIXARAM

As lutas deixaram marcas.

Mas também deixaram maturidade.

Ensinaram a não desprezar pequenos começos.

Ensinaram a valorizar pessoas.

Ensinaram a continuar.

Ensinaram a cuidar.

Ensinaram a esperar.

Ensinaram a confiar.

Ensinaram que uma obra verdadeira não é aquela que nunca enfrenta dificuldades.

É aquela que, diante delas, continua buscando a Deus.


A CAMINHADA AINDA NÃO TERMINOU

O capítulo 97 não é um memorial de fracassos.

É um memorial de aprendizado.

Porque a história ainda continua.

Novas dificuldades poderão aparecer.

Novas responsabilidades poderão surgir.

Novas pessoas poderão chegar.

Mas aquilo que foi aprendido permanecerá.

E uma das maiores convicções desta caminhada é esta:

a dificuldade nunca foi maior que Deus.

“Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças.”
Isaías 40:31

Ao olhar para tudo aquilo que foi vivido, é possível compreender que as lutas também tiveram seu lugar na construção da obra.

Elas ensinaram aquilo que momentos fáceis talvez nunca ensinassem.

Ensinaram a valorizar uma cadeira.

Uma refeição.

Uma pessoa presente.

Uma oração.

Uma mão estendida.

Um servo fiel.

Uma porta aberta.

Uma palavra de esperança.

Ensinaram que aquilo que parece pequeno pode ser enorme quando colocado nas mãos de Deus.

E ensinaram, principalmente, que permanecer não significa nunca sentir dor.

Significa não permitir que a dor determine o fim da caminhada.

Pastor Ivanildo Melo Regis e Pastora Rosinete Lima Regis continuaram conduzindo a missão diante de diferentes desafios, mas nunca como donos da história.

São servos dentro dela.

Porque esta obra pertence ao Senhor.

E se há uma frase capaz de resumir aquilo que as lutas ensinaram, talvez seja esta:

quando faltaram respostas, Deus continuou sendo Deus; quando faltaram recursos, Deus continuou sendo Deus; quando faltaram forças, Deus continuou sendo Deus.

Por isso, a história continua.

E a nossa confiança também.