CAPÍTULO 81
QUANDO A IGREJA PRECISOU PERMANECER
“Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.”
Apocalipse 2:10
Permanecer é mais do que estar presente
Na história de uma obra, existem momentos em que chegar parece suficiente. Há entusiasmo, novidade, pessoas novas e possibilidades que começam a surgir. Mas chega um momento em que a verdadeira medida da caminhada deixa de ser quantos chegaram e passa a ser quantos permaneceram.
O índice oficial coloca este capítulo como o número 81 da Parte V — As Histórias Que Não Podem Ser Esquecidas, imediatamente depois de “Quando a Dor Virou Testemunho” e antes de “Dias de Chuva, Frio e Sol”.
Essa posição ajuda a compreender seu sentido: depois de falar da dor, a história precisa falar da permanência.
Permanecer, nesta biografia, não significa estar fisicamente em todos os lugares ou participar de absolutamente todas as atividades. Significa continuar ligado ao propósito, servir quando possível, atravessar mudanças e não abandonar aquilo que se recebeu como responsabilidade.
Uma obra não é sustentada somente pelos dias fáceis
Os documentos desta biografia mostram uma missão construída através de diferentes frentes, projetos, reuniões, pessoas e formas de serviço.
O próprio Capítulo 65 registra que pessoas chegaram, permaneceram, aprenderam, serviram, ajudaram, lutaram e amadureceram, passando em diferentes momentos a carregar parte da responsabilidade da missão.
Essa palavra — permanecer — aparece como uma das marcas que distinguem uma participação passageira de uma história construída ao longo do tempo.
O registro da missão afirma que permanecer significa atravessar etapas, aprender a servir, enfrentar dificuldades e continuar fazendo parte daquilo que Deus está construindo.
Tia Taís e Paulo: a permanência que virou memória
Poucas histórias expressam melhor esse princípio do que a de Tia Taís e Paulo.
O índice os apresenta como “A Primeira Alma Que Permaneceu”.
Tia Taís permaneceu através do cuidado cotidiano.
Seu serviço na cozinha não foi apenas uma função. O relato registra ocasiões em que ela chegou de madrugada levando comida para o Pastor Ivanildo, a Pastora Rosinete e Ismael.
Paulo permaneceu de outra maneira.
Seu apoio alcançou especialmente o Projeto 3EM1 e o trabalho nas redes sociais, sendo lembrado com carinho como um “tio online”.
O valor dessa história está justamente em sua simplicidade.
Eles não precisaram estar sempre no centro para demonstrar fidelidade.
O testemunho registra que continuam presentes, apoiando, cuidando e mantendo a amizade.
José Inácio: permanecer quando ninguém está olhando
José Inácio oferece outra dimensão dessa permanência.
Sua história é marcada por tarefas que muitas vezes não aparecem diante do público: gravação de vídeos, preparação, decoração, transporte, alimentos, organização e ajuda em diferentes necessidades.
O registro afirma que, depois da aproximação através dos Gideões em Resgate e do convite recebido, ele permaneceu.
Depois de aproximadamente cinco anos, o testemunho do Pastor Ivanildo registra continuidade, lealdade e dedicação.
Sua permanência também se manifesta no Projeto 3EM1 e em outras frentes. Ele participa de diferentes necessidades junto com a Pastora Rosinete e não limita seu serviço a uma única função.
É uma permanência silenciosa.
E justamente por isso precisa ser registrada.
A permanência de uma nova geração
A história de João e Ismael mostra que permanecer também pode significar crescer dentro da própria caminhada.
João chegou muito jovem através de sua amizade com Ismael.
Houve um período em que precisou se afastar, mas retornou. A partir daí, o testemunho da Pastora Rosinete registra amadurecimento, maior entrega, mudança de caráter e crescimento em responsabilidade.
Ismael, por sua vez, esteve ligado à missão desde antes de seu nascimento e cresceu acompanhando o serviço dos pais.
Com o tempo, passou de criança que acompanhava para alguém que recebeu funções e passou a ajudar outros jovens.
Essas histórias mostram que permanecer não é permanecer igual.
Quem permanece precisa amadurecer.
Quando permanecer exige atravessar uma mudança
A permanência também é testada quando as circunstâncias mudam.
Pessoas podem mudar de endereço, assumir novas responsabilidades, casar, estudar, trabalhar ou passar a servir em outros contextos.
A história de Aline demonstra isso.
Sua caminhada começou na instituição antiga e passou pela Praça do Wona e pelo Projeto 3EM1. Depois, ela tomou uma decisão de casamento e passou a estar no ministério onde seu esposo se encontra.
Mesmo assim, segundo o relato da Pastora Rosinete, nunca deixou de se comunicar, apoiar e visitar quando podia.
Essa é uma distinção importante:
permanecer não significa necessariamente continuar ocupando a mesma cadeira, a mesma função ou o mesmo espaço.
Às vezes, significa preservar a fidelidade mesmo depois de uma mudança de etapa.
Quando a igreja precisa permanecer ao lado de quem sofre
O capítulo anterior tratou da dor que pode se transformar em testemunho.
Agora aparece uma consequência:
quando alguém está ferido, a igreja precisa permanecer.
A história do trabalho Curada para Curar, conduzido pela Pastora Rosinete, nasceu da percepção de que mulheres emocionalmente feridas precisavam de cuidado.
Os encontros foram estruturados com oração, dinâmica, louvor, Palavra e roda de conversa.
O propósito era oferecer espaço para mulheres que carregavam traumas, rejeições, abandono, perdas, traições e frustrações.
Essa iniciativa mostra que permanecer não é apenas aparecer no momento da necessidade.
É criar condições para que a pessoa seja acompanhada em um processo.
Permanecer é cuidar
Em uma missão voltada para pessoas, permanência e cuidado caminham juntos.
O Capítulo 65 registra que o Pastor Ivanildo Melo Regis e a Pastora Rosinete Lima Regis receberam pessoas, ouviram histórias, acompanharam processos e assumiram responsabilidades ministeriais.
Esse acompanhamento é parte da responsabilidade pastoral.
Não se trata de substituir Deus, mas de servir.
A própria concepção registrada da liderança ministerial está ligada ao serviço e ao auxílio.
A Reunião Ministerial e a permanência de quem serve
A Reunião Ministerial, registrada no Capítulo 60, também ajuda a compreender este capítulo.
Ela foi apresentada como espaço de preparação para tios, colaboradores, obreiros, diáconos e outros que servem na missão.
Isso significa que permanecer não é apenas continuar aparecendo.
É aceitar formação, receber orientação e aprender a carregar responsabilidades.
A missão precisava preparar pessoas para que aquilo que havia começado pudesse continuar.
A orientação recebida em uma reunião poderia ser aplicada depois, transmitida a outra pessoa e até gerar novas responsabilidades.
Permanecer quando os recursos são limitados
Uma obra também é testada quando aquilo que existe não é suficiente para aquilo que precisa ser feito.
As histórias já registradas mostram pessoas contribuindo com alimentos, equipamentos, materiais, trabalho, transporte, divulgação e recursos.
Aline, por exemplo, ajudou em necessidades concretas do projeto, incluindo uma geladeira para apoiar os lanches das crianças e outras contribuições para a estrutura.
José Inácio trouxe alimentos e ajudou em diferentes necessidades.
Tia Taís e Paulo contribuíram com cuidado, materiais e apoio.
Essas histórias revelam que permanência também pode significar encontrar uma maneira de ajudar quando os recursos são limitados.
A igreja que permanece não depende de uma única pessoa
Existe uma verdade que precisa ser preservada:
a missão não pode depender de um único homem ou de uma única mulher.
Pessoas são importantes.
Líderes são importantes.
Colaboradores são importantes.
Mas a obra pertence a Deus.
O Capítulo 65 estabelece esse princípio com clareza: os seres humanos participam da história, mas não ocupam o lugar de Deus.
O Deus Todo-Poderoso permanece no centro; Jesus Cristo permanece como centro do Evangelho; e o Espírito Santo conduz, direciona e capacita.
O Pastor Ivanildo e a Pastora Rosinete: permanecer na responsabilidade
Também é necessário registrar que a permanência não foi exigida somente de quem colaborava.
Ela alcançou a liderança.
O Pastor Ivanildo Melo Regis e a Pastora Rosinete Lima Regis precisaram permanecer diante de pessoas, projetos, responsabilidades, dificuldades e decisões.
A biografia os registra como líderes que receberam pessoas, ouviram histórias, acompanharam processos e procuraram servir dentro da missão que lhes foi confiada.
Liderar durante uma fase fácil é uma coisa.
Continuar liderando quando existem dificuldades, limitações e necessidades é outra.
A permanência pastoral não deve ser confundida com perfeição.
Significa assumir a responsabilidade de continuar servindo.
O Espírito Santo e a força para permanecer
Nesta história, a capacidade de permanecer não é apresentada simplesmente como força de personalidade.
O Espírito Santo ocupa lugar central porque é reconhecido como aquele que conduz, direciona e capacita.
Por isso, permanecer não significa apenas dizer:
“Eu vou continuar.”
Significa buscar diariamente direção de Deus para saber como continuar, onde servir, o que corrigir e como cuidar.
Jesus Cristo como exemplo e fundamento
O Senhor Jesus Cristo também precisa permanecer no centro deste capítulo.
A missão não existe para criar admiradores de seus líderes.
Existe para servir ao Evangelho.
Cristo é o fundamento.
É nele que a esperança encontra sentido.
É nele que o serviço encontra direção.
E é para Ele que a obra precisa apontar.
Quando uma pessoa permanece fiel, o objetivo final não é fazer seu próprio nome permanecer.
É fazer com que o nome de Cristo continue sendo anunciado.
O Deus Pai, Senhor da obra
Acima de todos os nomes, existe o Deus Todo-Poderoso.
A história desta missão precisa ser lida sob essa perspectiva:
pessoas participaram, projetos foram construídos, líderes trabalharam, colaboradores permaneceram, mas Deus é o Senhor da obra.
É Ele quem merece a honra maior.
O Pai, o Filho e o Espírito Santo não são uma conclusão decorativa desta biografia.
A Trindade é o centro espiritual diante do qual todas essas histórias precisam ser compreendidas.
Permanecer quando seria mais fácil desistir
Há uma profundidade especial na permanência porque desistir, muitas vezes, é mais fácil.
É mais fácil parar quando não há reconhecimento.
É mais fácil abandonar quando o resultado demora.
É mais fácil recuar quando surgem dificuldades.
É mais fácil deixar uma responsabilidade quando ninguém percebe o esforço.
Mas os testemunhos registrados mostram pessoas que continuaram.
Tia Taís e Paulo continuaram.
José Inácio continuou.
Pessoas da nova geração continuaram crescendo.
Aline continuou apoiando mesmo depois de mudar de contexto.
E a liderança continuou cuidando e organizando novas frentes.
Essa continuidade é parte do patrimônio espiritual desta história.
O que significa permanecer para as próximas gerações
Uma criança que vê um adulto permanecer aprende algo.
Um adolescente que vê alguém continuar servindo aprende algo.
Um jovem que recebe responsabilidade e percebe que seus líderes continuam presentes aprende algo.
Uma pessoa ferida que descobre que a igreja não a abandonou aprende algo.
A permanência ensina sem precisar de um discurso.
Ela diz silenciosamente:
“Você não está sozinho.”
O legado dos que ficaram
Quando esta biografia for lida muitos anos depois, talvez algumas pessoas não conheçam todos os detalhes das dificuldades enfrentadas.
Mas poderão encontrar os nomes daqueles que permaneceram.
E isso será suficiente para revelar uma parte da história.
Porque uma obra não é construída apenas pelos grandes acontecimentos.
É construída por pessoas que voltam no dia seguinte, que ajudam novamente, que respondem uma mensagem, que trazem um alimento, que gravam um vídeo, que organizam uma atividade, que oram, que orientam, que cuidam e que simplesmente continuam.
Permanecer é uma declaração
Toda permanência verdadeira carrega uma declaração:
“Eu ainda acredito.”
“Eu ainda sirvo.”
“Eu ainda quero ajudar.”
“Eu ainda creio que Deus está trabalhando.”
“Eu ainda faço parte desta história.”
Não é uma declaração de perfeição.
É uma declaração de fidelidade.
Uma igreja que permanece se torna testemunho
A igreja que permanece ao lado das pessoas se torna parte da história delas.
Quando uma pessoa olha para trás e percebe que alguém continuou orando, servindo, ensinando, cuidando e acreditando nela, aquela permanência deixa de ser simplesmente presença.
Ela se transforma em memória.
E algumas memórias permanecem por toda uma vida.
A última palavra não é desistência
O Capítulo 81 prepara a passagem para o Capítulo 82:
“Dias de Chuva, Frio e Sol.”
A ordem é profundamente coerente.
Depois de falar sobre a necessidade de permanecer, a narrativa entrará nas condições concretas em que essa permanência aconteceu: dias diferentes, ambientes diferentes, dificuldades diferentes.
Porque permanecer é fácil de afirmar em palavras.
É no frio, na chuva, no calor, na falta de recursos e nos dias difíceis que a palavra ganha peso.
A memória que fica
Esta biografia registra, portanto, que a história da missão não foi construída apenas por quem chegou.
Foi construída também por quem ficou.
Por quem continuou.
Por quem serviu quando ninguém estava olhando.
Por quem cuidou quando a necessidade apareceu.
Por quem permaneceu fiel mesmo quando a circunstância mudou.
Por quem entendeu que fazer parte de uma obra de Deus é mais profundo do que ocupar uma função.
Uma palavra de gratidão
Ao Pastor Ivanildo Melo Regis e à Pastora Rosinete Lima Regis, fica registrado o reconhecimento pela responsabilidade de permanecer à frente da missão, cuidar de pessoas, preparar servos e continuar buscando direção de Deus.
A Tia Taís e Paulo, fica registrado o reconhecimento pela permanência que se transformou em memória.
A José Inácio, fica registrado o reconhecimento pelas mãos que continuaram servindo em silêncio.
A Ismael, João, Aline e a todos os demais que aparecem nesta caminhada, fica registrado que permanecer também é uma forma de escrever história.
E aos anônimos, cuja contribuição talvez jamais possa ser totalmente descrita em páginas, fica registrado que Deus conhece cada gesto de fidelidade.
A Deus pertence a glória
Nenhuma dessas histórias pode terminar apontando para o homem.
O centro continua sendo o Deus Todo-Poderoso.
O Senhor Jesus Cristo continua sendo o centro do Evangelho.
O Espírito Santo continua sendo aquele que conduz, fortalece, capacita e sustenta.
E o Pastor Ivanildo Melo Regis e a Pastora Rosinete Lima Regis continuam registrados como servos e líderes que assumiram a responsabilidade de caminhar com pessoas dentro dessa missão.
“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.”
1 Coríntios 15:58
Assim termina o Capítulo 81: não com a imagem de uma igreja que nunca enfrentou dificuldades, mas com a imagem de uma igreja que aprendeu que algumas histórias só podem continuar quando alguém decide permanecer.
Permanecer quando alguém está ferido.
Permanecer quando os recursos são poucos.
Permanecer quando a resposta demora.
Permanecer quando a circunstância muda.
Permanecer quando ninguém aplaude.
Porque a fidelidade não é provada somente pelo que fazemos quando tudo está favorável.
Ela é revelada pelo que fazemos quando continuar custa alguma coisa.
E nesta história, permanecer tornou-se uma forma de testemunhar que ainda existe fé, ainda existe propósito e ainda existe disposição para servir.
A obra continua. As pessoas continuam. A missão continua. E a glória continua pertencendo ao Deus Todo-Poderoso, ao Senhor Jesus Cristo e ao Espírito Santo.

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