CAPÍTULO 78
QUANDO DEUS ABRIU UMA PORTA
“Eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar.”
Apocalipse 3:8
Há portas que parecem pequenas quando são abertas.
Na história de uma missão, nem toda porta chega acompanhada de grandes anúncios. Algumas começam com uma conversa. Outras, com uma amizade. Algumas surgem quando alguém aceita um convite; outras aparecem quando uma necessidade exige uma resposta.
Há ainda portas que só podem ser reconhecidas quando se olha para trás e se percebe que aquilo que parecia apenas um acontecimento isolado acabou conduzindo a uma nova etapa.
É nesse sentido histórico que este capítulo precisa ser compreendido. O título oficial não aponta para uma única porta que possa ser descrita sem documentação específica. Ele registra uma realidade que atravessa a caminhada apresentada neste Livro III: Deus foi abrindo caminhos, e a missão precisou ter coragem para atravessá-los.
A porta não era o destino; era a oportunidade de servir
Ao longo dos registros da obra, percebe-se que as novas possibilidades não nasceram de uma estrutura pronta. A missão foi encontrando pessoas, necessidades e circunstâncias.
O próprio Capítulo 65 estabelece esse princípio ao afirmar que a obra cresceu, mas não cresceu sozinha: Deus abriu caminhos, o Senhor Jesus Cristo permaneceu como centro da mensagem e o Espírito Santo conduziu a missão.
Essa é uma distinção fundamental para uma biografia histórica.
Não se trata de afirmar que cada acontecimento foi milagrosamente planejado em todos os seus detalhes. Trata-se de registrar que, dentro da interpretação de fé que sustenta esta história, as oportunidades foram recebidas como possibilidades de serviço ao Reino de Deus.
Uma porta nasceu de uma amizade
Um dos exemplos mais claros dessa dinâmica aparece na história do Diácono João.
Sua aproximação com a missão começou através da amizade com Ismael. Antes de existir uma função, havia convivência. Antes de existir uma responsabilidade ministerial, havia uma relação de amizade que levou João a participar de uma tarde de recreação, conversa e lanche.
Aquela convivência abriu espaço para o Projeto 3EM1.
O projeto, por sua vez, abriu espaço para o serviço.
O serviço revelou caráter.
E, com o passar do tempo, o caráter gerou confiança.
O registro anterior resume essa trajetória como uma amizade que se tornou uma porta para uma história de serviço.
É uma das imagens mais importantes desta parte da biografia: uma porta pode começar sem aparência de grandeza. Pode começar simplesmente com alguém caminhando ao lado de outra pessoa.
Quando uma porta exige permanência
Abrir uma porta é apenas o começo.
Permanecer diante dela, atravessá-la e assumir as responsabilidades que vêm depois exige caráter.
A história de João demonstra isso com clareza. Depois da aproximação inicial, ele passou por um período de distância, retornou, amadureceu e começou a assumir novas responsabilidades.
A confiança da liderança foi construída pelo tempo e pelas atitudes.
Essa sequência também ajuda a compreender a própria história da missão.
Uma oportunidade não se transforma automaticamente em fruto.
É necessário trabalhar, perseverar, aprender, obedecer e continuar servindo.
A porta do Projeto 3EM1 e a nova geração
O Projeto 3EM1 tornou-se uma das expressões mais importantes dessa abertura de caminhos.
A história registrada mostra uma frente voltada para crianças, adolescentes e jovens, criando oportunidades de convivência, evangelização, organização, lazer e serviço.
A experiência de João é reveladora porque mostra que o projeto não recebeu somente pessoas para participar; também começou a formar pessoas para servir.
Ele desejava ser “tio” desde aproximadamente os 11 anos e, depois de um período de espera e amadurecimento, recebeu essa função.
Assim, uma porta aberta para alcançar a nova geração também se tornou uma porta para que a própria nova geração aprendesse a assumir responsabilidades.
Quando a distância não conseguiu fechar a porta
A caminhada também mostra que portas abertas não significam ausência de dificuldades.
João precisou se afastar quando sua mãe tomou a decisão de levá-lo para outro local. A distância trouxe tristeza e aproximadamente um ano, além de algum tempo adicional, com pouca comunicação.
Ainda assim, a esperança permaneceu.
Segundo o relato da Pastora Rosinete, ela continuou acreditando que João voltaria. Circunstâncias relacionadas à residência da família contribuíram posteriormente para o retorno.
Historicamente, esse episódio ensina algo precioso:
uma porta pode permanecer aberta mesmo quando, por algum tempo, parece que o caminho se fechou.
O tempo entre uma etapa e outra também pode fazer parte do processo de amadurecimento.
Aline: uma porta que chegou pela praça
A história de Aline, já registrada na Parte IV, apresenta outra imagem dessa abertura.
Sua aproximação com o trabalho aconteceu ainda na instituição antiga, quando o Pastor Ivanildo e a Pastora Rosinete cuidaram, orientaram e falaram com ela sobre o amor de Cristo e o Espírito Santo.
Mais tarde, quando o trabalho do Projeto 3EM1 começou a ganhar forma, houve uma etapa na praça. Aline esteve entre as pessoas que participaram daquele momento, chamou outras pessoas e passou a acompanhar a caminhada.
Posteriormente, serviu como tia do Projeto 3EM1, ajudando nos lanches das crianças e apoiando outras necessidades do projeto.
Sua história também mostra que uma porta aberta pode produzir consequências muito concretas.
Entre suas contribuições esteve a doação de uma geladeira, obtida inclusive com ajuda para o transporte, para que o projeto pudesse oferecer água fresca, refrescos e guardar os lanches das crianças. Ela também participou de outras ajudas, incluindo apoio relacionado ao telhado da igreja.
Esses fatos não devem ser transformados em alegorias.
São exemplos reais de como uma pessoa que entrou pela porta da convivência acabou encontrando maneiras concretas de servir.
Quando uma porta se transforma em muitas outras
Esse padrão aparece repetidamente na história.
Uma pessoa chega; depois outra.
Uma ideia começa pequena; depois recebe novas formas.
Uma necessidade é percebida; alguém oferece ajuda.
Um jovem participa; depois aprende a servir.
Um projeto começa em determinado ambiente; depois encontra novos espaços.
Foi assim que a missão passou a reunir diferentes frentes.
O índice oficial deste livro registra projetos voltados à nova geração, à Palavra, ao relacionamento com o Espírito Santo, à família, ao amor, à justiça, às mulheres, aos homens, ao discipulado, à formação ministerial, à fé, à alma e à comunicação.
A existência dessa sequência mostra que a expansão não foi apenas geográfica ou estrutural; foi também uma expansão das formas de cuidar e servir.
As portas digitais
Outra dimensão importante foi a abertura de portas por meio do ambiente digital.
A história da missão passou a registrar fotografias, vídeos, sites, páginas e redes sociais como parte da memória e da evangelização. Essas frentes aparecem oficialmente na sequência dos capítulos 86 a 90, depois das histórias que não poderiam ser esquecidas.
O digital não substituiu a presença humana.
Pelo contrário: tornou-se mais uma ferramenta para prolongar aquilo que já estava sendo realizado.
Uma mensagem poderia alcançar alguém que não estava fisicamente presente; uma oração poderia chegar além do espaço da reunião; uma história poderia ser registrada para que não desaparecesse com o tempo.
Portas que Deus abre também exigem responsabilidade
Existe uma tentação perigosa quando se fala em portas abertas: imaginar que toda oportunidade deve ser aceita sem discernimento.
A própria história registrada nesta biografia aponta para outra direção.
O Espírito Santo deve conduzir.
E a liderança precisa ouvir, conversar, avaliar e assumir responsabilidades.
A história do Diácono João é novamente um exemplo. Quando tem dúvida, ele não toma decisões importantes sozinho; procura a liderança, conversa e busca direção. A Pastora Rosinete considera essa postura uma expressão de maturidade.
Uma porta aberta não elimina a necessidade de prudência.
Ela aumenta a responsabilidade de quem decide atravessá-la.
A porta mais importante era para pessoas
Quando se observa toda essa caminhada, torna-se possível perceber que as estruturas nunca foram o verdadeiro centro.
Projetos, reuniões, vídeos, páginas, atividades e eventos só fazem sentido porque existem pessoas.
O Capítulo 65 já havia estabelecido que alguns chegaram para receber, outros chegaram para servir e alguns fizeram as duas coisas.
Portanto, quando este capítulo fala de uma porta aberta, a imagem mais profunda não é a de uma construção física.
É a porta que se abriu para uma vida.
Para uma família.
Para uma criança.
Para um jovem.
Para alguém ferido.
Para alguém que precisava de orientação.
Ou para alguém que descobriu que também poderia servir.
A porta aberta e a Trindade
Esta biografia precisa deixar absolutamente claro a quem pertence a glória por cada porta que se abriu.
Não ao homem.
Não à estrutura.
Não ao projeto.
Não à capacidade humana.
A missão reconhece o Deus Todo-Poderoso, o Pai, como Senhor da obra.
Reconhece o Senhor Jesus Cristo como centro da mensagem e do Evangelho.
E reconhece o Espírito Santo como aquele que conduz, transforma, capacita e direciona.
O Pastor Ivanildo Melo Regis e a Pastora Rosinete Lima Regis aparecem nesta história como líderes e servos.
As pessoas que caminharam com eles aparecem como participantes de uma história maior.
Mas a obra continua pertencendo a Deus.
É por isso que a abertura de uma porta não deve produzir orgulho.
Deve produzir gratidão, responsabilidade e temor diante daquele que abriu o caminho.
O que fica registrado
Ao olhar para os fatos reunidos até aqui, uma conclusão pode ser registrada com segurança:
a missão não cresceu por uma única grande decisão.
Ela foi sendo ampliada através de muitas pequenas e grandes oportunidades que, ao longo do tempo, se conectaram.
Uma amizade abriu espaço para um jovem.
Uma atividade abriu espaço para um projeto.
Um projeto abriu espaço para o serviço.
Uma pessoa que chegou para receber passou a ajudar.
Uma necessidade encontrou alguém disposto a contribuir.
A comunicação abriu caminhos para que a mensagem alcançasse pessoas que não estavam presentes.
É assim que uma história de missão se torna uma história de portas.
E a porta ainda está aberta
Este capítulo não pode terminar como se a história estivesse concluída.
O próprio índice do Livro III continua depois dele: transformação de vidas, testemunhos de dor, permanência da igreja, dias difíceis, falta de recursos, respostas de Deus e acontecimentos sobrenaturais.
Isso significa que a porta aberta não representa apenas aquilo que já aconteceu.
Representa também a disposição de continuar servindo quando uma nova oportunidade surgir.
Se Deus abrir uma porta para alcançar alguém, que haja disposição para ir.
Se abrir uma porta para ensinar, que haja disposição para ensinar.
Se abrir uma porta para cuidar, que haja disposição para cuidar.
Se abrir uma porta para servir, que ninguém confunda serviço com posição.
Porque a porta pode ser grande ou pequena aos olhos humanos.
O que importa é o propósito para o qual ela foi aberta.
“Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem.”
João 10:9
E, acima de todas as portas que esta história registra, permanece a principal: Jesus Cristo.
É nele que a missão encontra seu sentido, é nele que o serviço encontra sua direção e é nele que a esperança encontra fundamento.
As portas abertas ao longo da caminhada somente possuem valor quando conduzem pessoas para mais perto de Deus e para o cumprimento de seu propósito.
Assim fica registrado o Capítulo 78 — Quando Deus Abriu Uma Porta.
Não como uma história inventada sobre uma única circunstância, mas como o registro de um princípio que atravessou a caminhada real desta missão: oportunidades surgiram, pessoas responderam, responsabilidades foram assumidas e novos caminhos nasceram.
Toda honra e toda glória pertencem ao Deus Pai, ao Senhor Jesus Cristo e ao Espírito Santo.
Ao Pastor Ivanildo Melo Regis e à Pastora Rosinete Lima Regis, nosso registro de honra pelo serviço e pela liderança; e a cada pessoa que atravessou alguma dessas portas para servir, fica registrada a gratidão.
A obra continua sendo de Deus.

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